domingo, 27 de dezembro de 2009

Os destaques de2009 na música

O FENÔMENO SUSAN BOYLE

Susan Boyle pode ser definida como a heroína de 2009. A trajetória da ex-dona de casa escocesa de visual descuidado foi ganhando cada vez mais destaque ao longo do ano, desde que seu vídeo no YouTube se transformou em hit – logo, sua voz doce e o ar frágil conquistaram fãs no mundo todo. A caloura não venceu o reality show inglês que a revelou, mas o segundo lugar no “Britain’s got talent” garantiu a ela o apoio do público. Tanto que o seu disco de estreia, “I dreamed a dream”, se tornou o mais vendido nos Estados Unidos, e seu nome é o terceiro mais procurado na internet. Resta conferir se ela conseguirá construir uma carreira musical sólida. (Lígia Nogueira)


 O FURACÃO LADY GAGA
Ninguém sabia ao certo de onde tinha saído aquela loira de voz estridente e figurinos bizarros, quando ela começou a emplacar um hit atrás do outro. Primeiro foi “Just dance”, depois “Poker face”, “Paparazzi” e agora “Bad romance”. O fato é que Lady Gaga deu uma chacoalhada na cena pop em 2009. Rihanna, Black Eyed Peas e Beyoncé aderiram ao seu jeitão “drag queen futurista” e nem Madonna escapou do hype. A rainha declarou que via na moça sua possível sucessora. Se a colocação é tão exagerada quanto os modelitos da cantora, só o tempo vai dizer. (Dolores Orosco)

'I GOTTA A FEELING', BEP
Talvez a música pop mais tocada de 2009, “I Gotta Feeling”, segundo single do novo álbum do Black Eyed Peas foi trilha sonora para tudo, de comerciais de TV a vídeos amadores do YouTube e flash mobs no programa de Oprah Winfrey, passando por baladas (na cidade e na praia), rádio e em loop na cabeça de qualquer um que ouviu a melodia grudenta burilada por Will.i.am. O produtor do BEP não se incomodou em juntar tudo o que podia na mesma faixa, em uma celebração da abundância. Estruturada em diferentes “movimentos”, é uma miniópera da festa, como se os Beach Boys estivessem vivos e tivessem talento para o rebolado. (Amauri Stamboroski Jr.)

'IT'S BLITZ!', YEAH YEAH YEAHS
Na contramão de seus dois discos anteriores, o Yeah Yeah Yeahs trocou as guitarras barulhentas pelos sintetizadores e efeitos eletrônicos em “It’s blitz”. Produzido por Dave Sitek, do TV on the Radio, e Nick Launay, que já trabalhou com Nick Cave e Arcade Fire, o terceiro álbum da banda de Nova York conserva a energia roqueira do grupo e expande as fronteiras dos gêneros no melhor dos sentidos. Boa parte da graça do YYY é cortesia da amalucada vocalista Karen O. A cantora ainda concorre ao Globo de Ouro na categoria melhor trilha sonora original pelo filme “Onde vivem os monstros”, de Spike Jonze. A canção “All is love”, de Karen O and The Kids, aliás, está na disputa pelo Grammy de melhor canção original composta para um filme. (LN)

CÉU
No ritmo entorpecente da terra de Bob Marley, a cantora Céu deslizou à vontade e lançou um dos melhores discos de música brasileira do ano. Produzido pela própria artista paulistana com a colaboração de Gui Amabis, Gustavo Lenza e Beto Villares (produtor do álbum de estreia da cantora), “Vagarosa” trouxe à tona ecos de reggae, funk e samba, revelando a voz imponente e a poesia afiada da artista - conforme prova a caprichada "Bubuia", com vocais de Thalma de Freitas e Anelis Assumpção. O trio de beldades, a propósito, promete ser uma das boas novidades do ano que vem, sob a alcunha de Negresko Sis. (LN)

 BETHÂNIA EM DOSE DUPLA
Incansável, Bethânia segue louvando o romantismo e a religiosidade - de capela e de terreiro - com os álbuns "Tua" e "Encanteria", lançados simultaneamente em outubro deste ano. Mas a diva sabe que é preciso mexer em time vencedor. Às belas canções de parceiros das antigas, juntou letras da novíssima geração de compositores, como Vander Lee e Vanessa da Mata. Tal repertório foi celebrado com “Amor, festa, devoção”, a turnê nacional mais emocionada do ano. (DO)

BEATLES 2.1
No ano em que comemoraram os 40 anos do disco "Abbey Road", último trabalho gravado pelos Fab Four em sua carreira, os Beatles ganharam sobrevida ao entrar definitivamente para o mundo digital. Se o catálogo oficial em MP3 da banda ainda não estreou na rede, coube aos videogames transportá-la às novas gerações do século XXI. Lançado em setembro deste ano, o jogo musical "The Beatles: Rock Band" é uma verdadeira enciclopédia interativa sobre a trajetória dos garotos de Liverpool. (Diego Assis)

 ENFIM, RADIOHEAD...
A espera de mais de uma década valeu a pena: a estreia do Radiohead em palcos brasileiros foi um dos acontecimentos mais marcantes no mundo da música em 2009. Em suas apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo, em março, a banda inglesa tocou músicas de toda a carreira por mais de duas horas. Tanto a fase roqueira, com guitarras em primeiro plano, quanto a mais experimental, repleta de efeitos eletrônicos, foram bem representadas no repertório. Além da fidelidade dos músicos às versões de estúdio, os telões e a iluminação do palco deram ao espetáculo uma atmosfera cinematográfica memorável. (LN)

A LOCOMOTIVA DO AC/DC
Treze anos depois de sua última passagem pelo Brasil, a banda australiana AC/DC foi novamente saudada por 65 mil fãs em um show único - e histórico - no estádio do Morumbi. Há quem reclame que os tiozinhos fazem o mesmo som até hoje, mas quem acertou a mão com clássicos de arena como "Back in black" e "Highway to hell" e segue à risca a cartilha do rock'n'roll movido a álcool, mulheres e trovoadas não precisa mesmo mudar muita coisa. Com os altofalantes no volume máximo e uma cenografia de cair o queixo, a locomotiva do AC/DC acabou atropelando até o (ótimo) show do Iron Maiden no início do ano. (DA)

 A MORTE DE MICHAEL JACKSON
Não é fácil perder um rei, e a morte do Rei do Pop marcou os fãs de música de todo o mundo em 2009. A perda foi mais dolorosa porque o cantor estava se preparando para voltar aos palcos depois de um longo hiato - a turnê “This is it”, em Londres, começaria poucas semanas antes da sua morte. Um dos maiores nomes da música pop e principal símbolo do poderio da indústria musical do século XX, Jackson foi relembrado exaustivamente, e chegou a voltar às paradas com seus discos antigos e nova coletânea, além de brilhar postumamente no cinema com o documentário sobe os ensaios da sua possível última turnê. Também desencadeou uma série de litígios a respeito de sua herança, que devem entrar 2010 e seguir pela próxima década. (ASJ)




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